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o vergonhoso português

enquanto hoje pedalava sob chuva e vento para casa, deslizo na calçada molhada da universidade e dou uma queda brutal que projecta a bicicleta, já torta, para a frente.. faço uns estragos na perna e rasgo alguma roupa, nada de grave - mas fico tão atordoado que não me levanto do chão por alguns minutos.

durante esses mesmos minutos, o facto de estar estatelado no chão e a sangrar à chuva não é incómodo para os que por ali passam: apenas desviam os pés para não me calcar! por acaso passou por ali um amigo meu de infância que lá me ajuda a compor e lá se certifica que está tudo bem.

felizmente foi uma queda de bicicleta, mas e se fosse um ataque cardíaco? já por lá ficava, com certeza - e é por estas e por outras que às vezes tenho vergonha de ser português.

eu tenho mais barba que o Tom Barman

e aqui está a prova.


dEUS no Porto

joãoramos © 2008

quando a Graziela explicou ao Tom Barman que eu já não tinha dinheiro para ir ao concerto de dEUS no porto e escrevinhou o meu nome num pedaço de papel, o Tom incluiu-me na lista de convidados da banda - e toda esta magia tomou forma ontem, no sá da bandeira.

enquanto fazíamos tempo para o concerto, a maura e a inês viram o belga já citado e eu pude bater meio dedo de conversa com ele, que me reconheceu com um “oh, are you João?” e acendeu-me um cigarro que tão deliciosamente me inundou os pulmões nos dez minutos seguintes.

já no teatro, deu-se um dos melhores concertos que vi até hoje e, no final dessa magia, encontrámos a renata e fomos aos camarins, onde apertei a mão aos senhores da banda e pedi ao Tom Barman que me assinasse um cigarro.. a seguir, ouvia-se o mesmíssimo a dizer “let’s go, class!” enquanto uma dúzia de pessoas entravam para uma grande carrinha com destino ao plano b, onde o dEUS belga pagou uma rodada a todos nós e eu quase me senti feliz, não fossem as perguntas absolutamente entediantes e fúteis de uma meia dúzia. mas vá, o que importa é mesmo dEUS.

e também o facto de, entre tudo isto, ter fechado um ciclo.
um ciclo começado em 1995 pelo meu irmão ao contratar os dEUS na sua primeira visita a portugal e continuado pela minha irmã que, ao conhecer o Stef Kamil Carlens, lhe perguntou se se lembrava da primeira actuação em solo português e, que só por coincidência, tinha sido arranjada pelo nosso irmão.